A fabricante de caminhões Scania deu início, agora em fevereiro, à produção no Brasil de caminhões com apelo ambiental, materializado em modelos movidos a GNV (gás natural), GNL (gás liquefeito) e biometano (obtido a partir de resíduos orgânicos).

A Scania iniciou os testes dessa tecnologia no Brasil em dezembro de 2018. Em condições favoráveis, o rendimento destes brutos é animador: rodando apenas com gás natural, um caminhão gerou redução de 15% no custo do quilômetro rodado, provenientes da economia com combustível (na comparação com um equivalente rodando a diesel).

Quando se diz condições favoráveis, entenda-se o fornecimento de GNV ou GNL que possam ser encontrados pelos postos do país com a mesma facilidade que o diesel atualmente: sem uma estrutura eficiente de distribuição deste combustível, a viabilidade desta nova tecnologia pode ficar mais limitada.

Ambas as versões dos caminhões da Scania, tanto a que roda com GNV como a que roda com GNL, podem também usar biometano em qualquer proporção, num regime semelhante ao que acontece com veículos automotores flex, que podem rodar ou com álcool ou gasolina, ou os dois em qualquer proporção de mistura.

Produção local

Caminhões a gás da marca já eram produzidos em outros mercados como na Europa desde 2014 e os primeiros modelos que vieram para cá para testes foram importados. A ideia agora é de prover para os pedidos já feitos unidades fabricadas localmente. A produção local dos novos modelos foi parte dos investimentos anunciados pela Scania no Brasil de R$ 2,6 bilhões de 2016 a 2020.

Os caminhões serão fabricados na planta da empresa em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, no Estado de São Paulo.

A Scania aposta na viabilidade deste tipo de combustível por conta de sua disponibilidade no Brasil. Segundo números da fabricante, dependendo da disponibilidade do gás, há economia no custo do quilômetro rodado e há uma redução entre 10% a 15% nas emissões de CO², na comparação com modelos a diesel. Em tempos em que o setor de transporte e grandes embarcadores são cobrados quanto à mitigação de suas emissões, esse ganho passa a ser mais significativo.

Menor emissão

A menor emissão é uma informação importante porque, graças a isso, estes motores já se encontram em conformidade com as exigências da norma de emissões Euro 6, e que tem sua equivalência no País com a oitava fase do Proconve, Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores, instituído pela Resolução 490 do Conama, Conselho Nacional do Meio Ambiente, de 21 de novembro de 2018 (veja a íntegra da resolução aqui) . Estas exigências passam a valer no Brasil em 2022 para novos veículos.

As primeiras entregas dos caminhões começam agora em março. A Scania não divulgou quantas unidades foram vendidas. O que se sabe é que a inovação tem preço: algo como 30% a 40% acima de uma versão a diesel, que custa a partir de R$ 400 mil.

Fora da Europa, o Brasil é único país em que Scania deu início à produção de caminhões deste tipo.

Saiba mais

Gostou da novidade?! Então não deixe de assistir ao vídeo abaixo, em que entrevistei, na Fenatran 2019, Paulo Genezini, líder de gestão de produto da Scania e que falou à nossa reportagem sobre esta inovação no transporte. Saiba mais assistindo ao vídeo abaixo. Aproveite e compartilhe esta notícia com seus contatos que possam se interessar pela novidade e siga a Guep em nossas mídias sociais.

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