Dependendo de quem fala, o Brasil pode ficar entre o 7º e o 6º lugar na lista dos países que mais consomem derivados do petróleo no mundo. No caso de levantamento feito pela Agência Internacional de Energia, organização internacional ligada à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil ocupava a 6ª posição em 2013, ano com hidrelétricas em baixa e usinas térmicas em alta, leia-se acionamento de motores para gerar energia.

O fato é que o Brasil é, seguramente, “top 10”. Some a isso o fato de sermos um país de dimensões continentais e aí veremos que é grande o impacto da logística de combustíveis no transporte rodoviário de cargas.

Num interessante artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo, no dia 8 de fevereiro de 2020, o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura – CBIE , Adriano Pires, traz detalhes importantes sobre esta questão e que são de interesse de todo o ecossistema do transporte.

Ele aponta que os combustíveis fósseis – claro – têm a maior participação na matriz de transportes do Brasil, com 69,4% do total, mas com crescente participação de fontes renováveis, sendo que, em 2019, foram colocados no mercado 65 milhões de metros cúbicos de combustível, sendo deste total 37% de gasolina A e 63% de óleo diesel, além de 24,9 milhões de metros cúbicos de etanol hidratado.

Vale lembrar que o Brasil, via legislação, obriga que a adição de 27% de etanol à gasolina e 11% (por enquanto) de biodiesel ao óleo diesel (veja mais no blog da Guep aqui).

No Brasil, as regiões que produzem biocombustíveis ficam concentradas nas regiões centrais do País, enquanto a produção e importação de derivados de petróleo acontece na costa, por causa da localização de refinarias e portos, e isso para uma demanda que se concentram em mais de 50% em apenas 4 estados da federação: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná.

Dependência do modal rodoviário

Claro, pesa e muito a grande dependência do modal rodoviário. Para efeito de comparação, Pires comenta em seu artigo que a rede de ferrovias e dutos é deficitária no Brasil quando olhamos mercados como os Estados Unidos: se aqui temos 31 mil Km de ferrovias, os EUA têm 294 mil Km; e nos oleodutos, o Brasil conta com 8 mil Km de dutos versus 335 mil Km nos EUA.

Ora, no final das contas o que pesa é a questão da competitividade de nossa logística, que fica seriamente afetada pela necessidade de deslocar combustível para as regiões mais remotas do país para impulsionar o deslocamento de riquezas e viabilizar a atividade econômica.

Déficit em infraestrutura

Daí que Pires chama a atenção para a necessidade de ampliar a infraestrutura e aprimorar movimentação de combustíveis no Brasil, a título de reduzir o custo do abastecimento e aponta a importância dos terminais usados para armazenagem e mistura de biocombustíveis. Segundo Pires, o Brasil tem um déficit de terminais que ocasiona uma ineficiência logística cujo custo é estimado em R$ 2,6 bilhões/ano.

Sem a existência dos terminais em pontos estratégicos, o biocombustível percorre um caminho muito maior para ser misturado, antes de ser colocado à disposição do mercado consumidor. Ele cita como exemplo o caso da capital federal, Brasília: por falta de um terminal, a mistura é realizada num porto, ampliando a distância percorrida pelo biocombustível localizado em usinas em Goiás para ser levado ao Porto de Santos, para só então ser distribuído nos postos.

O Brasil fez uma escolha pela adoção de uma matriz mais limpa em seus combustíveis no transporte, para efeito de adotar fontes renováveis e mitigar os custos ambientais com emissões de combustíveis. Bem verdade, há quem critique o biodiesel por exemplo pelo dano que a mistura pode trazer a motores de caminhões, geradores e outros equipamentos por falhas ou ajustes que precisem ser feitos nos equipamentos.

Mas isso não diminui a necessidade do Brasil repensar a arquitetura de produção de distribuição de combustíveis para reduzir a necessidade dessas movimentações no País e, consequentemente, baixar os custos da cadeia do transporte e melhorar a competitividade do setor.

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